O Dr. Gustavo Khattar de Godoy acompanha uma transformação que, embora menos visível ao público em geral, altera profundamente o cotidiano da prática médica no Brasil: a transição do prontuário em papel para os sistemas eletrônicos de registro clínico. Durante décadas, o conjunto de informações do paciente esteve disperso em fichas físicas, sujeito a perdas, ilegibilidade e fragmentação. A digitalização desse registro representa uma mudança de paradigma, com reflexos diretos na qualidade do atendimento, na segurança do paciente e na capacidade de análise do sistema de saúde como um todo.
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Da ficha de papel ao registro digital integrado
A adoção do prontuário eletrônico não é um movimento recente, mas sua consolidação no Brasil avançou de forma significativa nos últimos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços de saúde e pela pressão regulatória por maior rastreabilidade das informações clínicas. Hospitais de grande porte já operam integralmente com sistemas eletrônicos, mas clínicas menores e unidades públicas ainda enfrentam dificuldades na transição, seja por limitações tecnológicas ou pela resistência de profissionais habituados ao modelo tradicional.
Entretanto, os benefícios da digitalização do prontuário vão além da simples organização das informações. O acesso imediato ao histórico do paciente por qualquer profissional autorizado, independentemente do local de atendimento, elimina redundâncias, evita exames desnecessários e reduz o risco de erros decorrentes da ausência de informações relevantes no momento da decisão clínica.
Interoperabilidade: o desafio de sistemas que se comunicam
Um dos obstáculos centrais no avanço do prontuário eletrônico no Brasil é a falta de interoperabilidade entre diferentes sistemas. Hospitais, clínicas, laboratórios e plataformas de telemedicina frequentemente utilizam softwares incompatíveis entre si, criando silos de informação que limitam o aproveitamento real da digitalização. Gustavo Khattar de Godoy aponta que, sem a capacidade de compartilhar dados clínicos de forma segura e padronizada, o prontuário eletrônico cumpre apenas parte de seu potencial.
Desse modo, iniciativas voltadas à padronização de protocolos de troca de dados em saúde ganham relevância estratégica. O modelo FHIR, padrão internacional para interoperabilidade de sistemas de saúde, começa a ser adotado por iniciativas brasileiras tanto no setor público quanto no privado, apontando para um cenário futuro em que o histórico clínico do paciente possa seguir o indivíduo de forma fluida por toda a rede de atendimento.

Segurança, privacidade e responsabilidade sobre os dados
A digitalização dos registros clínicos amplia a eficiência dos processos, mas também eleva a superfície de exposição a riscos de segurança. Prontuários eletrônicos concentram informações altamente sensíveis, e sua proteção exige camadas técnicas e organizacionais robustas. Para o Dr. Gustavo Khattar de Godoy, a implementação de sistemas de prontuário eletrônico deve ser acompanhada de políticas claras de acesso, criptografia dos dados e auditorias periódicas de conformidade com a legislação vigente.
Por conseguinte, a responsabilidade sobre os dados clínicos digitais recai sobre múltiplos atores: desenvolvedores de sistemas, gestores hospitalares e os próprios profissionais de saúde que os alimentam. A cultura de segurança da informação precisa ser incorporada à rotina clínica, e não tratada como tema exclusivo das equipes de tecnologia.
Análise de dados e o futuro da inteligência clínica
O prontuário eletrônico não é apenas um repositório de informações: é uma fonte primária para a geração de conhecimento clínico em escala. Quando bem estruturados e integrados, esses sistemas permitem identificar padrões epidemiológicos, avaliar a efetividade de protocolos terapêuticos e antecipar riscos populacionais. Gustavo Khattar de Godoy ressalta que essa dimensão analítica representa a fronteira mais promissora da digitalização do prontuário, conectando o registro individual ao avanço coletivo da medicina.
Por fim, a transição para o prontuário eletrônico reflete uma transformação que vai além da tecnologia e alcança a própria lógica do cuidado em saúde. O Dr. Gustavo Khattar de Godoy reforça que sistemas bem implementados, interoperáveis e seguros têm o potencial de qualificar cada etapa da jornada clínica do paciente, tornando a prática médica mais precisa, eficiente e orientada por evidências.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

