Operação SP Sem Fogo na Fase Amarela: Por Que a Prevenção de Incêndios Florestais em São Paulo É Urgente

Diego Velázquez

O estado de São Paulo ativou a fase amarela da Operação SP Sem Fogo, reforçando um conjunto de ações preventivas contra incêndios florestais antes da chegada do período mais crítico da estiagem. Este artigo analisa o que significa essa transição de fase, quais medidas estão sendo implementadas, por que o modelo adotado pelo governo paulista merece atenção e de que forma a sociedade pode contribuir para que os resultados positivos já alcançados se consolidem ainda mais em 2026.

O que é a fase amarela e por que ela importa

A fase amarela da Operação SP Sem Fogo ocorre entre abril e maio e concentra esforços no planejamento e na redução de riscos, antecedendo o período mais crítico da estiagem, quando as condições climáticas favorecem a ocorrência de incêndios. Trata-se, portanto, de um momento estratégico: não é ainda o combate direto ao fogo, mas a construção do alicerce que tornará esse combate mais eficiente quando vier a ser necessário.

A lógica por trás dessa estruturação em fases é sólida. Preparar equipes, distribuir equipamentos e revisar planos preventivos durante os meses de outono permite que o estado chegue ao inverno e à primavera, estações de maior risco, com uma estrutura já organizada e testada. Do ponto de vista de políticas públicas ambientais, essa abordagem representa um amadurecimento institucional relevante, especialmente quando comparada a modelos reativos que só mobilizam recursos depois que o dano já está feito.

Investimentos e estrutura operacional

O Governo de São Paulo lançou a Operação SP Sem Fogo 2026 com uma das maiores estruturas já montadas para prevenção e combate a incêndios florestais no estado, com investimento em equipamentos e veículos que chega a R$ 19,3 milhões. Além do aporte financeiro, a Fundação Florestal abriu processo seletivo para 243 brigadistas temporários, que atuarão nas Unidades de Conservação de todas as regiões paulistas durante o período de estiagem.

Esses números não são meramente simbólicos. A contratação de brigadistas temporários e a distribuição massiva de equipamentos revelam uma compreensão clara de que a prevenção demanda presença humana em campo, e não apenas tecnologia remota. Monitoramento por satélite é essencial, mas não substitui o agente treinado que identifica risco no território antes que ele se converta em tragédia.

Entre as principais ações está também a distribuição gratuita de guias com orientações sobre incêndios florestais a produtores rurais, gestores de áreas naturais, prefeituras e comunidades do entorno de regiões com vegetação, com foco nas áreas mais vulneráveis. Essa medida, aparentemente simples, possui um impacto prático significativo: grande parte das queimadas no estado decorre de desinformação ou negligência. Levar conhecimento às pessoas certas é tão eficaz quanto qualquer equipamento de combate.

Resultados que justificam o modelo

Os dados mais recentes da operação conferem credibilidade ao esforço preventivo. Em 2025, São Paulo registrou queda de 91% na área queimada em Unidades de Conservação, a maior redução histórica no índice de queimadas do estado. Esse resultado excepcional não aconteceu por acaso: foi produto direto de anos de aperfeiçoamento na estratégia de prevenção, capacitação de equipes e integração entre órgãos estaduais e municipais.

De acordo com dados levantados em Campos do Jordão, a implementação das ações preventivas contribuiu para uma redução de aproximadamente 80% nos focos de incêndio na comparação entre 2025 e 2026. Esse dado local reforça a lógica sistêmica da operação: quando municípios são incluídos no planejamento e recebem capacitação adequada, os efeitos se multiplicam de forma consistente pelo território.

A causa humana como fator central

Um dado que merece reflexão vai além das cifras de investimento: entre 65% e 80% dos incêndios são causados por queimas de lixo irregulares, queimadas de terrenos e bitucas de cigarros. Isso significa que a maioria das ocorrências poderia ser evitada com mudança de comportamento. A operação reconhece esse fato ao investir em comunicação, distribuição de guias educativos e capacitação de comunidades rurais.

Do ponto de vista editorial, é preciso afirmar com clareza: nenhum volume de investimento em veículos e equipamentos será suficiente se a cultura de uso irresponsável do fogo não for enfrentada com a mesma seriedade. A prevenção técnica e a educação ambiental precisam caminhar juntas para que os avanços obtidos não se percam.

O papel de cada um nesse processo

A Operação SP Sem Fogo não é responsabilidade exclusiva do governo. O sistema integra diferentes órgãos, como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental, Fundação Florestal e Cetesb, além de prefeituras e concessionárias de rodovias. Mas a cadeia de proteção só se completa quando o cidadão também assume seu papel.

Evitar queimar lixo em terrenos, não soltar balões, denunciar focos de incêndio e ter consciência sobre o descarte de cigarros em áreas de vegetação são atitudes concretas que qualquer pessoa pode adotar. A fase amarela, portanto, não é apenas uma fase de governo. É um convite para que toda a sociedade paulista se prepare com antecedência para proteger o que é comum a todos: o meio ambiente, a biodiversidade e a qualidade do ar que se respira.

O sucesso de 2025 estabelece uma meta exigente para 2026, mas também prova que o caminho escolhido é o correto. Prevenir, antes de remediar, é a única resposta inteligente diante de um clima cada vez mais imprevisível e de ecossistemas cada vez mais vulneráveis.

Autor: Diego Velázquez

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